Seleção de Acari (em pé): Miúdo, Érisson, Paulo Balá,
Mendes, Nélson Buchão, Zé do Bio e Geraldo Guiné. (Agachados): Celso Guiné,
Humberto Brandão, Bineca, Sílvio de Silvino Nunes e Nego Ciço.
A seleção de França enfrentou neste
domingo a Seleção de Acari, num jogo eletrizante e que marcou a torcida
acariense presente ao local da partida. Ao contrário do que mostrou uma outra
seleção sul-americana, que também enfrentou a equipe francesa nesses últimos
dias, a garra da equipe seridoense foi fator preponderante para a grande
vitória. Empenho e determinação não faltaram aos jogadores do selecionado
acariense. Seus homens, cheios do brio natural do sertanejo, foram para cima e
fizeram do ataque ao adversário a chave para a virada quando o placar lhes
estava adverso. Com o triunfo obtido no domingo, a Seleção de Acari dá exemplo
de galhardia, jogando o mais puro futebol arte e entrando para a história.
“Taticamente fomos perfeitos. Não foi só superação. Nossa equipe foi para o
ataque e deixou a defesa muito bem protegida. Não corremos nenhum risco de
tomar gol em contra-ataque. Já as nossas substituições foram acertadas e feitas
na hora certa”, vibrava depois da partida o capitão Mendes, do time acariense,
em festa com vários torcedores. “A valentia dos nossos homens, nossa força de
vontade e a fome pela vitória foram o nosso diferencial. Nossa equipe é sedenta
de vitórias”, enfatizava o técnico enquanto era abraçado por muitos. “Que
golaço de Celso! Barthez ficou assim, ó”, o assistente técnico Geraldo Guiné se
atirava ao chão mostrando a ação do goleiro francês no momento que foi
encoberto no segundo gol.
O
jogo
O jogo começou aberto e logo aos 12min
da primeira etapa, em jogada tabelada entre Zidane e Henry pelo meio, a França
abriu o placar com um chute certeiro, de fora da área, do meia francês. Era
França 1 a 0. Placar que calou a torcida presente ao estádio.
Mas logo aos 15min, Nego Ciço invadiu
a área pela esquerda e chutou forte para defesa de Fabien Barthez, que espalmou
para escanteio, com a bola ainda tocando de raspão no travessão. Na cobrança de
Celso Guiné na primeira trave, Miúdo escorou de cabeça para Bineca, que sozinho
matou no peito e de voleio atirou contra a meta francesa, mas Thuran, em cima
da linha, salvou a França de sofrer o primeiro gol.
Aos 17min foi a vez do capitão Mendes
desarmar Zidane no meio e tocar na direita para Celso Guiné, que avançou rápido
pela lateral do campo, ganhou na corrida de Abidal, tocou para trás encontrando
Humberto desmarcado, de primeira achou Sílvio Nunes, mas o chute de esquerda
saiu fraco para a fácil defesa do arqueiro francês.
Aos 25min, dominada e acuada em seu
campo de defesa, a seleção francesa se protegia com seus onze homens, mas em
contra ataque rápido pela direita, o ala Ribéry recebeu de Vieira, tabelou com
Malouda e chutou forte. O arqueiro Érisson deu o rebote e dividiu a bola no
chão com Henry, segurando firme contra o peito a pelota. No entanto, no choque,
sofreu uma pancada e teve que ser substituído, entrando o goleiro reserva Dodó,
que só ficara na reserva por uma leve contusão. A torcida incentivava
aplaudindo e gritando com o time.
O jogo ficou bastante truncado e as
jogadas não evoluíam pelo meio de campo. Ambas as equipes mostravam desempenho
e valentia na busca do gol e nas roubadas de bola. Reprimidos pela forte
marcação do escrete acariense, os visitantes esperavam um lampejo do seu
capitão Zidane para conseguir chegar à área da seleção acariense. Depois de
algumas tentativas sem sucesso, o meia finalmente abriu a porta acariense aos
38min, quando cometeu falta desleal em Mendes, não marcada pelo juiz, avançou
pela esquerda trabalhando com a perna direita e tocou para Henry que chegou a
tirar o goleiro Dodó do lance, mas foi travado por Nélson Buchão no momento do
chute, com o gol aberto. O lance no meio de campo, mexeu com o capitão
acariense. Com o dedo indicador em riste, ele foi para cima do capitão francês,
mas a confusão foi amenizada e os ânimos acalmados pelo juiz, que distribuiu
dois cartões amarelos; um para cada capitão.
Aos 42min a equipe acariense tocava a
bola no meio de campo, esperando que a seleção francesa vacilasse em sua defesa
e se abrisse. O lateral Zé do Bio, recebeu de Paulo Balá pela esquerda e lançou
Celso que havia invertido a posição com Nego Ciço, esse cruzou voltando e, da marca
do pênalti, livre, Humberto cabeceou para vê a bola explodir contra o
travessão. Na volta Sagnol aliviou cedendo o escanteio. Na cobrança feita por
Miúdo a bola foi encontrar Paulo Balá que subiu mais alto que Gallas e testou
firme, para baixo. Mas o arqueiro Fabien Barthez estava atento e mais uma vez a
bola foi jogada pela linha de fundo. Novo escanteio. Na cobrança a zaga rebateu
para fora da área e Mendes, que ficara na sobra, pegou de primeira, mas
Makelele em cima da linha do gol cedeu novo escanteio. Zé do Bio bateu o
escanteio e a bola foi no meio da área encontrando Nélson Buchão que cabeceou e
viu a bola passar rente ao poste esquerdo da meta de Barthez. Na reposição de
bola, o juiz encerrou o primeiro tempo com um minuto de acréscimo.
"Foi bom [o primeiro tempo].
Criamos muito e ficamos perto do gol", reconheceu o beque de espera Miúdo,
da Seleção Acariense. "Até acho que chegamos bem à frente, mas temos de
arriscar mais e comê-los vivos se for preciso", disse Nélson Buchão. "Nos
precipitamos em algumas finalizações. Temos que caprichar um pouco mais e
suarmos sangue se for preciso", reconheceu o center-half Humberto.
A equipe acariense voltou com Augusto
Bernardo pelo meio, entrando no lugar de Zé do Bio, e o capitão Mendes foi
deslocado para ocupar a posição do substituído. A troca surtiu efeito. Logo aos
3min da etapa complementar, Augusto deu o bote na bola desarmando Ribéry que
avançava pelo meio e lançou Nego Ciço na esquerda. Com um toque de primeira ele
invadiu a área e chutou cruzado, mas Barthez espalmou e Thuran ficou com a
sobra.
Aos 8min o capitão Mendes ganhou na
dividida de Zidane e tocou no meio para Humberto, esse tabelou com Celso Guiné,
que descobriu Sílvio entrando pelo meio entre os zagueiros franceses e serviu
de calcanhar para Bineca que chegava de trás, mas o chute saiu sem direção pela
direita do gol.
Aos 13min depois da ótima triangulação
Sílvio, Humberto e Augusto, Paulo Balá chegou de surpresa e chutando forte,
para a defesa em dois tempos de Barthez. À essa altura a Seleção de Acari
mandava no jogo e a França esperava por um lance de genialidade do seu maestro
que era marcado e intimidado pelos gritos do capitão acariense. Zidane estava
apagado.
Novo lance veio levantar a torcida
quando Miúdo arrancou pela esquerda e tocou para Celso que chegava na
velocidade, pisou na bola, ganhou de Makelele e tocou no meio com Augusto, que
levantou na área francesa e viu Sílvio pegar firme de primeira, mas Brathez
espalmou de mão direita para escanteio. Na cobrança novamente Nélson Buchão
cabeceou, mas o juiz já havia marcado falta de Humberto sobre Abidal.
Aos 20min Bineca saiu e Chico de
Emília entrou, Nélson Buchão foi adiantado e a zaga acariense ficou formada com
Paulo Balá e Chico. O técnico acariense gritava comandando à beira do campo.
Aos 24min Augusto Bernardo entrou
costurando pelo meio, quando Vieira derrubou-lhe na entrada da área, falta que
Nélson cobrou para a defesa de Barthez.
Aos 29min foi a vez de Augusto
arriscar de fora da área para vê a bola explodir no travessão do goleiro
francês. No contra ataque Wiltord que entrara no lugar de Malouda, foi lançado
e ganhou na carreira de Paulo Balá, deixou Chico de Emília também para trás,
invadiu a área, mas foi desarmado por Miúdo na hora que ia completar para o
gol.
Aos 34min, em jogada de Mendes pela
direita, trocando passes com Augusto, Humberto foi lançado na área e de costa
para o gol rolou para Nélson Buchão chegar batendo forte e rasteiro no canto
esquerdo do gol francês. Acari 1 x França 1 ! A torcida enlouqueceu à beira do
campo!
Quem pensou que a seleção acariense
iria se acomodar com empate enganou-se. O que se passou a assistir foram as
trocas de passes rápidas, belas jogadas que terminavam nas mãos do goleiro
francês, ou explodindo na trave dos “Le Bleus”. Por duas vezes a torcida gritou
gol, mas a trave foi o destino da bola, na primeira vez em chute forte da
canhota de Sílvio Nunes, e na segunda em chute colocado de Augusto.
Aos 40min, em ótima jogada individual,
Celso Guiné foi desarmado por Thuran que chutou a bola com força para a frente,
aliviando a pressão. Mas fora do lance, na entrada da área o juiz marcou falta
de Makelele em Humberto. Chico de Emília atravessou o campo inteiro com a bola
debaixo do braço e ajeitou-se para bater a falta. O chute saiu com força e
atingiu a barreira. O francês Gallas deixou o campo desacordado.
Aos 42min, buscando a vitória a
qualquer custo, Acari seguiu com postura mais ofensiva, e Celso Guiné fez
brilhar a sua estrela. O atacante recebeu lançamento de Mendes e o zagueiro Thuran
tentou afastar de cabeça. Celso ficou com a bola e encobriu Fabien Barthez.
Acari 2 x França 1. De quebra, a Seleção de Acari manteve uma invencibilidade
de três décadas, em seu próprio campo e diante da sua fanática torcida.
ACARI
Érisson (Dodó), Miúdo, Paulo Balá,
Mendes, Nélson Buchão, Zé do Bio (Augusto Bernardo) Celso Guiné, Humberto
Brandão, Bineca (Chico de Emília), Sílvio Nunes e Nego Ciço.
Técnico: Zé Nunes.
França
Barthez, Sagnol, Thuran, Gallas
(Diarra), Abidal, Makelele, Vieira, Ribéry, Malouda (Wiltord), Zidane e Henry.
Técnico: Raymond Domenech.
Local: Campo São Vicente de Paula -
Acari (RN)
Capacidade: Toda a torcida acariense
Árbitro: Jorge Larrionda (URU)
Assistentes: W.Rial (URU) e P.Fandiño
(URU).
Matéria
publicada no fotoblog www.acaridomeuamor.nafoto.net , no dia
06/07/2006, logo após a derrota da Seleção Brasileira para a mesma França, pela
Copa do Mundo daquele ano.

Miudo, nesta seleção está faltando o meu tio Wilson, que foi o maior meio de campo do Seridó, jogou no Madureira e no Olaria em 1950
ResponderExcluirMiudo,
ResponderExcluirVocê, não se lembrou do meu tio Wilson que neste jogo com a seleção da França, que entrou no segundo tempo e deu o passo par o gol da vitoria. Tio Wilson, depois deste jogo foi contratado para jogar no Olaria do Rio de Janeiro