Deus é grande, meus amigos!
Essa seca da moléstia está acabando com o rebanho do sertão nordestino.
Essa seca da moléstia está acabando com o rebanho do sertão nordestino.
Até Zé de Bento do finado Raimundo Pomba Mansa, cabra lá
do Sítio Castanha do Boi, município de Cruzeta, terras vizinhas ao meu Acary,
tudo no nosso querido Seridó Potiguar, depois de perder todo o seu gado deu de
inventar de passar a corda no pescoço. Queria morrer de desgosto pelas perdas,
de fome e de agonia. E de corda.
Sua felicidade foi Tequinha de Mané Cisterna, prima de
Geraldo dos Candeeiros que também morreu de aperreio depois que a luz elétrica
chegou pelos sertões. Pois bem, Tequinha viu quando o cunhado passou falando
sozinho com uma corda na mão e, já imaginando o pior, chamou Chico Rôla Cega
para seguirem o abilolado.
Foram lhe encontrar debaixo de um Juazeiro, meio tonto,
meio choroso, sentado num toco velho e carcomido, já escrevendo com um picado
de carvão num pedaço de papel de saco de cimento o último bilhete de desculpas
pela covardia, destinado à mãe e ao irmão Dondon, marido de Tequinha.
Salvaram-lhe a vida com argumentos benditos!
Pela sorte de ficar vivo, Zé de Bento - ou de Bentin, como
muitos o chamam - solteirão convicto, foi levado para a capital a fim de
esquecer o gado perdido e a vida de comer, ele próprio, xiquexique queimado.
Na capital, Pedro de Galão e Érriçon Forde (escrito assim
mesmo), seus dois primos, se ocuparam de lhe mostrar as coisas da cidade grande
com o intuito de espairecer as intenções suicidas de Zé de Bento.
Por sorte o desatinado conheceu pelas areias brancas da
praia de Ponta Negra essa estrangeira amistosa da foto, holandesa das
adjacências rurais de Utrecht.
Foi paixão dupla, reciprocidade de tesão logo no primeiro
olhar.
Zé de Bento, bruto, acavalado, quase um burro xucro,
acostumado a lida de dificuldades, viu na branquela uma oportunidade de não
mais passar fome. Jumento de tudo ele não é.
A estrangeira, por sua vez, dada à frieza da carne branca
dos moços das suas plagas, viu na pele curtida pelo sol, um quase couro, de Zé
de Bento a oportunidade de sentir o calor que faz lá no sertão dele, e nunca
nas terras baixas dela. Coisa do acaso.
E o poeta filho de Dona Ritinha de Miúdo, que deveras
nada tem a ver com essa paixão avassaladora que domou o seridoense retirando-o
de sua convicção de solteiro, sabendo dessa quase prosopopeia real pensou em Zé
de Bento cantando os seus aboios lá pelas estradas vicinais de Utrecht,
tangendo vaca malhada entre os concelhos holandeses, cheirando bosta de gado
estrangeiro enquanto é observado por sua mulher tricotando num alpendre e, quem
sabe, olhando de soslaio para esse amor platônico vá rimando só para si o velho
e bom Zé de Bento:
Eu quero mamar cem anos
Pendurado nesses peitos
Eu já tracei os meus planos
Não quero passar mais fome
E antes que ela me dome
Eu quero mamar cem anos
Nos dois seios soberanos
Quebrarei os meus preceitos
Nesses mamilos perfeitos
Virarei um bezerrinho
Mamando bem de mansinho
Pendurado nesses peitos.
Pedro de Galão me disse que Zé de Bento anda feliz e
endinheirado. Mas folgado que a bexiga taboca, empolado feito pinto em merda.
Pense!
Agora vejam a foto da "muié dele".

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