Especialmente para o Craques & Craques, neste Dia Internacional da Poesia, mais uma obra do nosso amigo Jesus de Miúdo, companheiro na Pelada do Clube da Caixa.
No futebol eu também já fui artista
Quando a bola quicava em minha frente
Eu trazia lá dos campos do repente
A arte para ali ser repentista.
Mas encerrei a vida futebolista
Já não corro, hoje em dia estou parado
Foi um ato triste, mas bem pensado
Quando o fiz, confesso que até chorei
A chuteira que eu tanto utilizei
Enterrei lá na beira do gramado.
Dava toques, na pelota, geniais
Com jogadas qu’eu fazia como craque
Quantos gols eu marquei lá no ataque
Outras vezes servindo nas laterais
Tabelando com amigos especiais
Pelo meio, num futebol mui bem jogado
Mas o corpo começou a ficar cansado
É verdade, melancólico eu parei
A chuteira que eu tanto utilizei
Enterrei lá na beira do gramado.
Minha chuteira pareceu adivinhar
Que aquela era sua vez derradeira
Pois foi bem no meio d'uma carreira
Que seu couro começou a se rasgar
E não houve mais como adiar
A decisão que eu ali tinha tomado
No final, com os amigos, abraçado
Minha camisa para meu filho eu passei
E a chuteira que eu tanto utilizei
Enterrei lá na beira do gramado.
Jesus de Miúdo havia parado de jogar futebol, mas reencontrou na turma da Pelada do Clube da Caixa, em Pium, motivos para voltar aos gramados. Voltou um ano após ter "se aposentado".
E como na poesia cabe tudo...
Só acreditamos que não desenterrou a chuteira. Deve estar jogando com outra.
E como na poesia cabe tudo...
Só acreditamos que não desenterrou a chuteira. Deve estar jogando com outra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Dê sua opinião, mas fale sempre a verdade, sem palavrões, sem denegrir ninguém, usando o bom humor e, principalmente, se identificando corretamente.
Comentários maliciosos serão retirados do ar pela moderação do blog.