O pênalti cobrado
por Pirlo, da Itália, comprovou que se pode jogar futebol a sério brincando
como menino. O cabeludo, veterano do título mundial de 2006, domou o jogo e as
suas mechas de rapaz nascido em Flero, região da Lombárdia. A Itália merecia
ter vencido a Inglaterra com a bola em jogo. Pirlo encestou sua cobrança ao
estilo dos sábios.
Um jogo terminado
em 0x0 pode ser muito melhor que uma pelada de compadres de final 8x1 ou 7x2.
Itália e Inglaterra não construíram qualquer épico, mas a superioridade da
Azzurra só não foi 100% graças à belíssima defesa do goleiro Buffon logo no
início da partida.
A Itália quando
entra de patinho feio em qualquer campeonato, acaba de cisne. Ou chegando aos
melhores pontos do lago, aos cantos da contemplação ou dos mergulhos
indescritíveis.
Brasileiros de
minha época renegam a Itália pela vitória sobre a maravilhosa seleção de Telê
Santana em 1982, sem dúvida a última sinfônica nacional. A Itália venceu um
jogaço naquele 5 de julho no Estádio Sarriá em Barcelona.
Seu técnico, Enzo
Bearzot, contava com um ótimo time a começar do veteraníssimo goleiro Dino
Zoff, aos 41 anos de idade naquele jogo. Bearzot escalou a Itália que tinha
Scirea na defesa, Gentile caçando Zico, Cabrini, um mago na lateral-esquerda,
Tardelli e Antognioni brilhando no meio-campo, Conti e Graziani pelas pontas e
o matador Paolo Rossi.
Brasileiro não
entende é que Bearzot não convocou nem escalou Valdir Peres de goleiro quando
Telê esnobou dois muito melhores: Raul do Flamengo e Leão, do Grêmio. Pacheco
não aceita é que Bearzot não levou Serginho Chulapa e nem deixou Roberto
Dinamite assistindo à derrota das cadeiras, até fora do banco de reservas.
Para quem gosta
de comparar futebol à vinditta siciliana, em 1994, Romário tratou de botar
feijoada na pizza deles. Roberto Baggio, que cresceu em Caldógno, pequenina
cidade, copiando cobranças de falta batidas por Zico no Maracanã, chutou aos
céus norte-americanos o tetra para felicidade nossa.
Antes, teve até a
grotesca "vitória moral" de 1978, em que o time todo torto de Cláudio
Coutinho terminou invicto a Copa do Mundo e com um patético terceiro lugar após
vencer a Itália de 2x1, de virada, golaços de Nelinho e do saudoso Dirceuzinho.
Moral porque o Peru entregou seu jogo a Argentina e eliminou o Brasil.
A classificação
da Itália permite aos apaixonados por futebol mais do que pela força do
sectarismo ufanista, a chance de acompanhar, olhos vidrados, a um reencontro
entre as duas escolas que sempre dominaram a Europa.
Itália e Alemanha
conservam a tradição dos primeiros tempos, juntas, conquistaram sete Copas do
Mundo e travaram um dos mais emocionantes duelos de todos os tempos: A
semifinal da Copa do Mundo de 1970.
A Itália ganhou
de 4x3 um jogo cheio de sobressaltos e mudanças no placar e garantiu seu lugar
na decisão no Estádio Azteca, quando tomou, aí, sim, o grande samba lelê
ludopédico: Aquele desfile de 4x1 que a Escola Passista de Pelé, Rivellino,
Gerson, Tostão e Jairzinho comandou em na Cidade do México, fazendo voar
sombreiros ao mundo.
Itália x Alemanha
quer dizer uma semifinal para o acervo do futebol. Sempre é assim quando
gigantes se enfrentam, desde Matar ou Morrer, com Gary Cooper de solitário
xerife no faroeste ancestral e mais inesquecível pela beleza de Grace Kelly.
Itália x Alemanha
será um jogão. A Inglaterra se fechou com uma Suiça, retrancada e covarde, um
filmeco de terror, seria presa fácil para o mais forte time até agora, o
chucrute.Espanha x Portugal, outro pega. Falta-lhe o charme flamenco de 2008 e
2010, mas a Espanha é melhor.
(extraído do site http://www.rubenslemos.com.br/novo/inicial.php)
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