quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cabra de chute forte


Seu Emídio, sujeito dos mais bonachões que conheci, jeitão desprendido de tudo, sertanejo arretado, tipão de homem e de uma índole boa como poucos, gostava de jogar sinuca e contar causos para depois soltar a gargalhada. Numa dessas tardes de calor, ele sem camisas, cinto aberto sobre uma barriga que começava a lutar contra a lei da gravidade, descalço e absorto na bola branca, disputava as bolas coloridas sobre a mesa de pano verde com um vendedor desconhecido e vindo de outras terras. Ninguém sabe como, mas entre uma tacada e outra, uma encaçapada e outra, começaram a falar nos chutes fortes dos jogadores de futebol. Certamente algum peru, desses que gostam de observar jogos de sinuca discutindo outros assuntos e, de vez em quando dando um pitaco, foi quem puxou a conversa. Também não sabemos se para impressionar o oponente, mas Seu Emídio ia contando caso atrás de caso dos seus poderosos bombaços, como chamava os seus indefensáveis chutões. Dizia que goleiro quando sabia que ele entraria em campo tremia.
- Vi muitos sair correndo, só em ouvir o nome Emídio Dantas. Mandei outro tanto direto pro hospital – gabava-se. - Certa vez, jogando em Carnaúba, eu emendei uma de primeira que só foram achar três dias depois dentro dum buraco lá na Mina Brejuí - contava ele.
- Olha que eu conheço a região, meu senhor. A distância é grande! - Advertiu o vendedor.
- Maizômi, ora se é - limitou-se a afirmar o velho Emídio.
E seguiu contando seus causos, com o vendedor aqui e acolá dando uma de desacreditado.
- Meu filho, você não é daqui, mas fique sabendo que tiro de meta, pra mim, era como se fosse pênalti. Fiz muitos gols direto do tiro de meta, rapaz!
Aí, se abaixou para mirar a carambola, e enquanto ensaiava a tacada, falou:
- Um dia, num jogo arrochado que só a gota serena, já terminando o segundo tempo e o resultado teimando em não sair do zero a zero, e era zero a zero, zero a zero, era zero a zero... Tcham! Marcaram um pênalti ao nosso favor. Aí, a torcida comemorou logo e muito com uma algazarra danada, porque eu fui lá e peguei a bola pra bater – abaixou um pouco a voz e encarou o vendedor. - O último goleiro que tinha agarrado um chute meu, hômi, rasgou a rede abraçado com a bola e caiu lá debaixo do pé de tamarina que tinha por trás do campo. Foi num sei quantos dias internado e uma tuberculose pegada dos peitos pros pulmões, assim, ó, pela frente. A marca da costura da bola tá lá nas costas dele até hoje – finalizou apontando para algum canto com a ponta grossa do taco.
- Oxente! E ele não agarrou foi de frente? – perguntou o vendedor. Como a marca ficou atrás?
- Pra você ver como foi com força, cabra – Descartou Seu Emídio.
E foi marcar os pontos ouvindo o vendedor dizer “conte mais, que eu acredito”, desacreditando no tom de voz que usou e jogando em seguida. Depois, seu Emídio contornou a mesa, apanhou o giz, calibrou o taco, se agachou e voltou à sua narrativa.
- Peguei a bola e inventei de rir do goleiro. Ele me encarou e gritou pra mim: Emídio, bote tudo que tiver aí, que gol aqui hoje não passa” – continuou Seu Emídio.
- E aí? – perguntou o vendedor, fazendo um arzinho de riso.
Seu Emídio, ajeitou a calça, olhou analisando o jogo, observou para a diferença de pontos na lousa riscada com números feitos em giz, deu a volta na mesa, se agachou, levantou-se, voltou analisando o jogo, pegou no giz, calibrou a cabeça do taco novamente, franziu a testa e se encurvou para jogar.
- Rapaz, arrumei a bola na marca e corri até o meio de campo. Nisso a torcida já comemorava. Quando ouvi o apito do juiz corri feito louco pra chutar. Enquanto corria eu pensei: “Hoje eu arranco a cabeça desse filho da puta fora, ou lhe faço um buraco no meio dos peitos”. Levantei o pé e abaixei o bicho com força na bola. O chute saiu como um tiro seco: Pá! De Longe ouviram, hômi. Mas o infeliz do goleiro achou de voar e botar a mão na danada redonda. Imprensou quatro dedos da mão entre a bola e o travessão. Os dedos caíram na hora, e até hoje ninguém sabe nem se foi gol, porque o travessão ninguém encontrou e nem a bola se achou mais!
- Ah, essa não! – protestou o vendedor. – Mentira tem limite, e o senhor chegou nele. Tá querendo me fazer de besta, meu senhor?!
Nisso Severino Dedinho, pessoa estimada por todos da nossa terrinha, entrou na hora no ambiente da sinuca, para utilizar o banheiro. Seu Emídio, sem mudar o semblante, e na calma que tinha, perguntou-lhe:
- Foi ou não foi, cumpádi Biró?
Severino, conhecedor dos causos de Seu Emídio, mesmo sem saber ao quê se referia a pergunta do amigo, limitou-se a levantar a mão sem os quatro dedos, perdidos num acidente quando ele era ainda um jovem padeiro em Carnaúba dos Dantas, deixando só o polegar estendido para cima sinalizando um positivo para o velho compadre.
O vendedor arregalou os olhos, jogou o taco sobre a mesa e ainda mudo pagou o tempo sem se preocupar com o troco. Saiu quase correndo e se perdeu Rua da Matriz acima. Por certo, conta como certa até hoje a estória, quando se encontra numa roda falando de chutes fortes.
Êita, Seu Emídio véi de riso largo, cabra bom que deixa saudade!

Seu Emídio e Dona Do Céu. Casal mais que querido. Ele está presente apenas em nosso pensamento, pois já nos deixou na saudade; mas ela ainda nos dá a satisfação de sua presença física entre nós

QUADRO DE ARTILHARIA

Gente, a pelada da semana passada foi atípica. Faltou muita gente. Mas os gols não faltaram, se bem que foram poucos e bem abaixo da nossa média, apenas três.
Não tivemos duas peladas, como de praxe, com um intervalo entre elas. Porém, o jogo seguiu e apenas algumas alterações foram feitas. Mesmo assim considerei dois jogos distintos, dando ao primeiro o placar de 1 a 0, e ao segundo um empate de 1 a 1, pelos gols marcados no final.
Com isso o quadro de artilharia ficou assim:

Craque Gols Jogos Média
Sandro 24 18 1,33
Isaac 23 27 0,85
Alexandre 19 28 0,68
Ademir 12 15 0,80
Barreto 7 10 0,70
Stone 6 15 0,40
Vovô  5 12 0,42
Edward 5 12 0,42
Mauro 3 14 0,21
Silvino 3 19 0,16
Zezinho 4 16 0,25
Dr. Henrique 2 8 0,25
Dr. Paulo 2 4 0,50
Jean 2 10 0,20
Marcelo 2 16 0,13
Massilon 3 17 0,18
Érbio 2 14 0,14
João Ronaldo 2 10 0,20
Paulino 2 10 0,20
Curumim 1 21 0,05
Desculpe 1 12 0,08
Edy 1 16 0,06
Goiamim 1 6 0,17
Jéferson 1 9 0,11
Jesus de Miúdo 1 16 0,06
Lobato 1 16 0,06
Moacir 1 11 0,09
Paulo Bitoca 1 20 0,05
Total de gols 137
RESULTADOS DA 1ª PELADA RESULTADOS DA 2ª PELADA
Dias Jogados Datas Amarelo Azul Amarelo Azul
15 01/mar 3 3 3 2
08/mar 2 0 1 4
Quant. Jogos 15/mar 1 1 1 2
30 22/mar 1 2 4 4
28/mar 2 1 4 5
03/abr 2 2 1 4
12/abr 2 3 1 2
19/abr 4 3 2 2
26/abr 3 2 0 2
03/mai 1 3 5 2
10/mai 3 2 1 6
17/mai 2 0 6 3
24/mai 3 2 0 4
31/mai 3 3 2 2
05/jun 0 1 1 1
Total de gols/equipe 32 28 32 45 Total geral 137
Média de gols Dia Jogos
9,13 4,57

Um comentário:

  1. Tirei o dedo na pelada de hoje (14/06). Jogando contra o time de IZAC, ganhamos de 5 x 0 é mole. Dá-lhe, Mecão. KKKKKKKKKKK

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